Amigos

terça-feira, 18 de julho de 2017

ROSAS E LAVANDAS

Rosas e lavandas...lavandas e rosas
Perfumes de outros dias,
idos e vividos.
memórias de guardados ...
Nos campos de lavandas,
perfumes pelo ar.
O céu faz a moldura 
das flores maravilhas...
Nos campos dos rosais
multiplicam-se as belas
Na essência, que divina,
distribui  afetos revelando amores.
Lavandas e rosas, rosas e lavandas.
Tempos de sonho onde a eternidade
brinca de viver...
A Dama do castelo sonha o amanhecer
enquanto  a  Camponesa bela
canta o  por do sol,
e quando a lua chega, no céu
cheio de estrelas,
perfumes de Lavanda, suaves
como em sonho,
despertam nas roseiras
fragâncias de outras eras...
A rosa vermelha enlaça a rosa branca
encostam suas folhas delicadamente
dançando ao som da brisa que
passa ternamente.
Os campos de lavandas murmuram
uma canção,
costurando a brisa entre seus perfumes...
Passa o  Poeta pela estrada adiante,
mira no mistério da beleza rara,
e à luz da lua , toca um bandolim.
Lavandas e rosas, rosas e lavandas,
são essências puras,
natureza mansa de muitas lembranças
que perpassam o tempo 
de outra realidade.
Memórias de guardados...

Guaraciaba Perides

Campos de lavanda   ( imagem da internet)


Roseiral    (imagem da Internet)
Ao som do Bandolim

Lavandas e rosas para embalar nossos sonhos...desde sempre e eternamente...

sábado, 8 de julho de 2017

A VIDA É UM SONHO .... de Calderón de La Barca (escritor espanhol 1600 - 1681)

Na  Comédia estreada em 1635, Calderón de La Barca escreve o famoso monólogo do Príncipe Segismundo, uma das mais belas páginas da literatura.  A Vida é um Sonho:

1-
É certo, então reprimamos
Esta fera condição.
Esta fúria, esta ambição,
pois pode ser que sonhemos;
e o faremos, pois estamos
em um mundo tão singular
que o viver é só sonhar
e a vida ao fim nos imponha
que o homem que vive sonha
o que é , até despertar.

2-
Sonha o rei que é rei, e segue
com esse engano mandando,
resolvendo e governando.
E os aplausos que recebe,
vazios , no vento escreve
e em cinzas sua sorte
a morte talha de um corte.
E há quem queira reinar
vendo que há de despertar
no negro sonho da morte?

3-
Sonha o rico a sua riqueza
que trabalhos lhe oferece;
sonha o pobre que padece
sua miséria e pobreza;
sonha o que o triunfo preza,
sonha o que luta e  pretende
sonha o que agrava e ofende
e no mundo, em conclusão,
todos sonham o que são,
no entanto ninguém entende.

4-
Eu sonho que estou aqui
de correntes carregado
e sonhei que em outro estado
mais lisonjeiro me vi.
Que é a vida ? um frenesi
Que é a vida? uma ilusão;
uma sombra, uma ficção;
O maior bem é tristonho
porque toda a vida é um sonho
e os sonhos, sonhos  são.

...............................................................................





"Morrer, dormir, dormir talvez sonhar ..." William Shakespeare

quarta-feira, 28 de junho de 2017

INTERSECÇÃO.*

Nas águas  límpidas de um  lago
a lua veio banhar-se numa noite cálida
A prata que escorria em seus cabelos
eram imagens perfumadas de outras eras;
vibrantes flores aquáticas circulavam
em ondas de luzes cintilantes...
e monocórdios grilos embalavam sons
no silêncio  da  noite estrelada.
Não tão longe, uma estrada sinuosa  trazia
procissão de gente  antiga...de outros jeitos
e modos e que cantavam e dançavam aos
sons de risos...
Gaitas de foles acompanhavam alegres
a festa que passava, ancorada em
outro espaço e tempo vibrando pela
noite adentro.
Passaram por mim sem me  notarem e
não sabiam que seus risos eram transpostos
pela aliança entre o espaço e o tempo que viviam
mas chegando até  a mim na noite cálida...
Depois foram sumindo pela névoa do caminho,
seus risos e  seus cantos  se esvaindo
em outra realidade.
Fiquei sozinha  à beira do lago
observando as flores prateadas...



Guaraciaba Perides

* texto poético adaptado em outro contexto de uma experiência vivenciada e
relatada por CARL  JUNG   em seu livro  Memórias  Sonhos e Reflexões



Quadro de Monet



música celta de gaitas e violinos

domingo, 18 de junho de 2017

NA SOLIDÃO DAS ESTRELAS

QUADRO DE VAN  GOGH


No  Universo que contemplo
Parte dele ou do  Todo, senti
construir em mim
a ideia de Infinito...
São os pontos luminosos
que de tão longe ou de perto
fazem de mim componente
de toda a esfera circundante...
E fazer parte do Todo faz
de alguém que o compreende
a ilusão de ser o Tudo
na plenitude de Deus.
Não há solidão nas estrelas,
nem no espaço do Universo,
porque apenas somos parte
da  consciência do Ser.
Diante do Cosmos vibrante,
abro a janela e contemplo,
como num sonho ou ilusão
aquilo que me parece,
mas que já sei que não é,
a solidão das estrelas...
Pois, o vazio não existe,
preenchido pelas luzes
que se dividem e se expandem
na  grande esfera brilhante
de uma Consciência  Maior.
E no espanto do encanto
que esta ideia me produz
só posso pensar que somos,
Eu , você, e todo o mundo,
o espelho que reflete
a  Sagrada Face de Deus.

Guaraciaba Perides




domingo, 11 de junho de 2017

CANTOS DE LIBERDADE...

Como la cigarra
(María Elena Walsh)

Tantas veces me mataron,
tantas veces me morí,
sin embargo estoy aquí,
resucitando.
Gracias doy a la desgracia
y a la mano con puñal
porque me mató tan mal,
y seguí cantando.

Cantando al sol como la cigarra
después de un año bajo la tierra,
igual que sobreviviente
que vuelve de la guerra.

Tantas veces me borraron,
tantas desaparecí,
a mi propio entierro fui
sola y llorando.
Hice un nudo en el pañuelo
pero me olvidé después
que no era la única vez,
y seguí cantando.

Tantas veces te mataron,
tantas resucitarás,
tantas noches pasarás
desesperando.
A la hora del naufragio
y la de la oscuridad
alguien te rescatará
para ir cantando.



Yo te nombro (libertad)
(Giancarlo Pagliaro)

Por el pájaro enjaulado, por el pez en la pecera,
por mi amigo que esta preso porque ha dicho lo que piensa,
por las flores arrancadas, por la hierba pisoteada
por los arboles podados, por los cuerpos torturados,
. . . ¡yo te nombro Libertad!

Por los dientes apretados, por la rabia contenida,
por el nudo en la garganta, por la bocas que no cantan,
por el beso clandestino, por el verso censurado,
por el joven exiliado, por los nombres prohibidos
. . . ¡yo te nombro Libertad!

Te nombro en nombre de todos por tu nombre verdadero
te nombro cuando obscurece, cuando nadie me ve,
escribo tu nombre en la paredes de mi ciudad,
escribo tu nombre en la paredes de mi ciudad,
tu nombre verdadero, tu nombre y otros nombres
que no nombro por temor, yo te nombro Libertad.

Por la hilera perseguida, por los golpes recibidos,
por aquel que no resiste, por aquellos que se esconden,
por el miedo que te tienen, por tus pasos que vigilan,
por la forma en que te atacan, por los hijos que te matan,
. . . ¡Yo te nombro Libertad!

Por las tierras invadidas, por los pueblos conquistados,
por la gente sometida, por los hombres explotados,
por los muertos en la hoguera, por el justo ajusticiado,
por el héroe asesinado, por los pueblos apagados,
. . . ¡Yo te nombro Libertad!

Te nombro en nombre de todos por tu nombre verdadero
te nombro cuando obscurece, cuando nadie me ve,
escribo tu nombre en la paredes de mi ciudad,
escribo tu nombre en la paredes de mi ciudad,
tu nombre verdadero, tu nombre y otros nombres
que no nombro por temor, yo te nombro Libertad.













quinta-feira, 8 de junho de 2017

AÇUCENA E FLOR DE LIS

As duas flores nasceram
no mesmo jardim do Éden
onde  tudo começou...
Lindas e perfumadas viviam
a vida do  sonho como a vida
fosse o sonho de ...de ser feliz,
daquelas meninas mimadas
cujo segredo era o encanto
dos seus perfumes sutis.
Seus ramos eram tão próximos
que neles se confundiam.
Quem seria a Açucena,
quem seria a Flor de Lis?
Mas, cada uma , esperava,
que muito assim , de repente,
pudessem florir o Mundo.
Açucena e Flor de Lis...
Açucena, delicada, espalhou-se
pelos campos, pelos canteiros
da Terra, pelas quadras populares,
pelas canções dos poetas...
firmou-se no solo da terra.
distribuiu o seu perfume,
encheu de alegria as praças.
Flor de Lis , a Sonhadora,
transcendeu sua condição...
e elevada aos castelos,
Castelãs e seus amores,
transformou-se em  um símbolo
de hierarquia e fidalguia,
eternizada para sempre
em Bandeiras e Brasões.
Açucena , a  Amorosa,
Flor de Lis, a Sedutora,
ambas da mesma espécie
nascidas do mesmo  Jardim...
Histórias e mais histórias de
destinos diferentes...
Açucena   ou   Flor  de Lis?


Guaraciaba Perides



Apenas metáforas ...

quinta-feira, 25 de maio de 2017

À LUZ DE UM TEMPO FINDO

Sobressaiam  chuvas  de verão
onde brotavam lírios
nas poças das calçadas...
E o coração tão leve
cantava sempre uma canção.
O pensamento voava solto
como um passarinho e
havia, sim, uma razão...
A simples razão de ser tão jovem,
de ver a vida em frente com
olhos de poesia,
como uma dança alegre
pisando leve com passos bailarinos,
sorrindo para o nada...
querendo do todo o tudo,
amando amar e
amar  amando
à luz de um tempo findo.
As rosas que se abriam eram promessas
de um amor sem fim,
os coloridos modos,os seus sorrisos breves
e os seus cabelos negros brilhavam
à luz de um néon...
À luz de um tempo findo
havia vida, havia emoção.
Nas chuvas de verão,
calores se aquietavam,
desejos machucavam, a
alma se aquecia...
o vinho inebriava
e havia, sim,  uma razão.
À luz de um tempo findo,
o tudo era possível,
o amor uma certeza,
felicidade o agora...
o sonho de viver o instante
que  ora se vivia
e o mágico momento
do amor se revelava
nas águas puras do verão.
À luz de um tempo findo...


Guaraciaba Perides


Para complementar a música QUE   MARAVILHA
de Jorge Ben  Jor


Reflexos cintilam na mente enluarada,
cascatas no céu não dizem nada
a não ser para você e eu...
Naquele tempo tudo era tão simples,
amar e ser amado, sonhar era possível,
o ser Leal um lema,
uma razão tão plena,
verdade sem defeito,
apenas  causa e efeito
de estar no mundo e crer...